Lembro-me de
ser miúda, naquele que foi o meu tempo (que não foi assim há tanto tempo quanto
isso), e de olhar para o céu à noite e ver um luar que quase sorria rodeado por
sei lá quantos milhares de estrelas brilhantes, cintilantes… Aquele cenário
sempre me fez adorar a noite, querer viver nela só para poder saborear aquela
dança de sorrisos e piscares de olhos no céu, para poder ver a lua ora tímida,
ora vistosa, uns dias chorosa, outros a gargalhar…
Houve ainda
noites em que outros lhe quiseram tirar o brilho, tentaram ser as estrelas da
noite e lhe esconderam a luz… E ela, no seu jeito único, ergueu-se nos céus num
tom amarelado, alaranjado, avermelhado e presenteou este olhar com um
espetáculo único!
Perdi a
conta às vezes que fui à janela ao cair da noite só para te ver aparecer, foram
incontáveis as noites em que escrevi ao teu sabor, em que me perdi entre as
palavras de uma menina, as dos mestres e as que via escritas no céu…
Mas esse
tempo já lá vai… Já são tão raras as noites em que tenho 5 minutos para te
vislumbrar, não sei se da minha vista ou do céu, já não há tantas estrelas a
dançar contigo… Parece que o passar do tempo me roubou de mim, de ti, daquelas
noites passadas à janela a escrever ao teu sob o teu brilho e rodeada de velas…
Onde as minhas palavras eram amor, esperança, sonho; onde saiam versos, onde a
inspiração entrava por mim em ondas de adrenalina que me percorriam de uma
forma única, em impulsos de energia que me enchiam e que esvaziava tão inocentemente
em palavras camonianas, com visões que cheiravam a Florbela e um pezinho em
Bocage…
E sinto-me
tão tola ao olhar para tudo aquilo hoje em dia! Ou serei eu tola agora?
Qual de mim
estaria certa? A menina que se alimentava da lua e de sonhos de amor de cinema
ou a mulher que já se iludiu e desiludiu vezes demais ao ponto de desacreditar
quase todos os sonhos da menina? Haverá um meio-termo? Uma enésima solução
válida? Qual é afinal a realidade que posso esperar e com que me devo
conformar? Será o conformismo uma opção?
É nestas
alturas que volto a questionar tudo e sinto-me viva e válida outra vez… Quando
se pensa que as grandes questões estão resolvidas vem o tijolo que me atira
para o mundo das dúvidas e ao mesmo tempo me faz procurar… E me faz mexer e é
isso que a vida pede… Movimento…
Mas hoje
olhei… E não vi estrelas no céu a dourar o caminho…
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