quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Já não há estrelas no céu


Lembro-me de ser miúda, naquele que foi o meu tempo (que não foi assim há tanto tempo quanto isso), e de olhar para o céu à noite e ver um luar que quase sorria rodeado por sei lá quantos milhares de estrelas brilhantes, cintilantes… Aquele cenário sempre me fez adorar a noite, querer viver nela só para poder saborear aquela dança de sorrisos e piscares de olhos no céu, para poder ver a lua ora tímida, ora vistosa, uns dias chorosa, outros a gargalhar…
Houve ainda noites em que outros lhe quiseram tirar o brilho, tentaram ser as estrelas da noite e lhe esconderam a luz… E ela, no seu jeito único, ergueu-se nos céus num tom amarelado, alaranjado, avermelhado e presenteou este olhar com um espetáculo único!
Perdi a conta às vezes que fui à janela ao cair da noite só para te ver aparecer, foram incontáveis as noites em que escrevi ao teu sabor, em que me perdi entre as palavras de uma menina, as dos mestres e as que via escritas no céu…
Mas esse tempo já lá vai… Já são tão raras as noites em que tenho 5 minutos para te vislumbrar, não sei se da minha vista ou do céu, já não há tantas estrelas a dançar contigo… Parece que o passar do tempo me roubou de mim, de ti, daquelas noites passadas à janela a escrever ao teu sob o teu brilho e rodeada de velas… Onde as minhas palavras eram amor, esperança, sonho; onde saiam versos, onde a inspiração entrava por mim em ondas de adrenalina que me percorriam de uma forma única, em impulsos de energia que me enchiam e que esvaziava tão inocentemente em palavras camonianas, com visões que cheiravam a Florbela e um pezinho em Bocage…
E sinto-me tão tola ao olhar para tudo aquilo hoje em dia! Ou serei eu tola agora?
Qual de mim estaria certa? A menina que se alimentava da lua e de sonhos de amor de cinema ou a mulher que já se iludiu e desiludiu vezes demais ao ponto de desacreditar quase todos os sonhos da menina? Haverá um meio-termo? Uma enésima solução válida? Qual é afinal a realidade que posso esperar e com que me devo conformar? Será o conformismo uma opção?
É nestas alturas que volto a questionar tudo e sinto-me viva e válida outra vez… Quando se pensa que as grandes questões estão resolvidas vem o tijolo que me atira para o mundo das dúvidas e ao mesmo tempo me faz procurar… E me faz mexer e é isso que a vida pede… Movimento…
Mas hoje olhei… E não vi estrelas no céu a dourar o caminho…

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