Este será o Post mais narrativo… e descritivo…
Sou uma rapariga com 22 anos que já passou por muita coisa… Coisas demais até… Coisas que hoje em dia preferia mesmo não ter passado! Queria tanto apagar algumas das coisas que vivi, algumas das magoas q fizeram de mim a pessoa que sou hoje… Queria não ser aquela pessoa com quem vêm falar porque já passou pelo mesmo, porque sabe o que há-de dizer, porque tem experiencia…
Sabe por outro lado muito bem ser essa pessoa e ter a consciência de que confiam em mim para se abrirem em tantos níveis…
Mas acho que tanta experiencia, tanta situação e tanta magoa que trago dentro de mim, juntando com os segredos que trago comigo e levo para o túmulo, as pessoas que magoei por revolta, as pessoas que perdi na minha tentativa, na minha luta para ser alguém melhor e apagar o que há de mau em mim…Tudo isto vai levar-me à loucura, ou a um estado perfeitamente zen e de bem comigo e com tudo o que me rodeia…
É estranho crescer com uma mãe que fez tudo por mim, uma avó que deu o resto da vida que tinha para me criar, fazer de mim uma menina saudável e afável; uma família sempre presente, com os seus altos e baixos, as discussões tolas e tudo mais, mas sempre presente e unida… e de repente ver-me uma adolescente com dois irmãos pequeninos, ver que o grande amor da vida da minha mãe (aquele que podia ter sido o pai que nunca tive) morreu e levou a vida e força que a minha mãe tinha com ele, o pai dos meus irmãos revelar-se alguém horrível e toda a família separar-se por mesquinhices… Foram cerca de 7 anos em que a minha vida passou de perfeita (ou lá muito perto) para um inferno de tortura psicológica, dificuldades acima da media e ver a menina saudável e afável tornar-se numa miúda que teve de criar uma mascara para se defender de tanta tortura e acabou por magoar muita gente que lhe queria bem, vi e deixei nascer em mim uma ponta azeda que nunca mais sarou por completo…
Entre ter de ver a minha mãe deixar-me com os meus irmãos para tentar fazer algo de positivo por nós e ver o pai deles a afundar-se e ter de ser a adulta da casa; tornar-me aparentemente forte para resistir a tanto mal que me rodeava, ter de crescer à força, ter mostrar a toda a gente que estava tudo bem, sentir-me completamente sozinha e encurralada num sitio sombrio (negro mesmo), não ter ninguém que me ajudasse a sair dali, não ter ninguém nem maneira de partilhar tudo o que tinha dentro de mim… Eu cresci… E cresci amargurada com a vida, uma verdadeira sombra daquilo que sinto que estava destinada a ser…
Tudo isto era demais para uma menina-mulher na altura com 17 anos… Deixei a escola, aquela coisa onde eu era a “rainha”, porque simplesmente não podia suportar os custos que isso envolvia… Vi desperdiçado o meu talento e alguma da minha inteligência… Acabei por sair de casa na altura do regresso da minha mãe, porque me achava demasiado adulta e crescida para me dizerem o que devia fazer, que não precisava de mais drama… Juntei-me com a pessoa que na altura me deu a mão, me ajudou e me compreendeu… Uma relação que era um misto de amizade e paixão, que se tornou num amor e mais tarde em absolutamente nada a não ser dor… E dessa relação nasceu a uma vida… A minha pequenita, a mini-me, aquela que me fez ter força para continuar… E no meio de tudo isto, vi a minha vida, aquilo que me caracteriza – a alegria, boa-disposição, a capacidade de por as pessoas a rir, a garra, a força (que entretanto e forçosamente passou a ser parte de mim), a energia e vontade de mergulhar na vida – ser sugada por uma relação e uma rotina que só me magoava…
Comecei a seguir caminhos errantes, a fazer coisas más (para mim e para quem me rodeava), a magoar cada vez mais pessoas, a perder o pouco que tinha conquistado sendo eu… Tudo se estava a perder por causa desta versão de mim… Amargurada, rancorosa, dura e negativa! Perdi a minha avó pelo caminho… Foi a maior perda que já sofri, chegou a hora dela, finalmente descansou, ou assim o espero…
No dia 14 de Fevereiro de 2010, num trabalho estável e que me realizava, me abriu novos horizontes e revelou uma vocação em mim, acabei por dar fim aquela relação destrutiva… Não sem antes ficar com o tremendo trauma de ver o homem que um dia eu amei metido numa situação muito pouco agradável… Entreguei-me ao trabalho, continuando a dar azos a alguns dos meus ímpetos menos próprios (o que acabou por destruir mais alguma coisa), andei a animar muita gente com a musica (o que me dava algum prazer, uma vez que a alegria que havia em mim era pouca ou nenhuma) e encontrei alguém muito especial… Alguém que me acarinhou e me deu o colo que procurava… Foram 10 meses bonitos e no fim, desastrosos….
Como tudo isso está muito fresco cá dentro prefiro nem falar sequer sobre isso… Mas nesses 10 meses acabei por reencontrar uma parte de mim! Voltei a sentir alegria, voltei a ter a capacidade de ser doce, afável… Voltei a dar jus ao significado do meu nome – cheia de vida!
Isso acabou e mais uma vez sai muito magoada, destruída por dentro e com poucas esperanças na vida e ainda menos confiança nas pessoas… Voltei um pouco às origens, ao mundo onde fui tão amarga e mesmo assim houve quem se mantivesse ao meu lado – talvez por captarem a minha verdadeira essência, não sei – quem me desse a mão incondicionalmente…
E aqui estou eu, dia 17 de Fevereiro de 2011, e posso dizer que ao viver tanto do que não vivi, ao reencontrar pessoas que perdi e tiveram a bondade de me dar uma segunda oportunidade, ao encontrar pessoas que tiveram experiencias semelhantes às minhas, ao ter quem me compreendesse, ouvisse, aconselhasse e acolhesse, acabei por me reencontrar! Há coisas que estão cravadas em mim e que já ninguém as consegue apagar, mas sou eu outra vez! Tracei os meus objectivos e vou correr até ao fim do mundo para os alcançar… E desta vez quero fazê-lo sem pisar ninguém, sem ter de passar por cima de ninguém, pura e simplesmente junto a pessoas que me fazem bem, pessoas com garra e força para me puxar para cima!
Sinto-me mais equilibrada, com vida, com força, com energia… Encontrei tudo aquilo que precisava para voltar a ser eu!
Um obrigado muito especial a 3 pessoas que me têm ajudado neste processo no último mês… Uma, que será provavelmente a única a ler este monte de palavras com tanto sentido e tanto sentimento, sabes bem quem és e o que tens feito por mim! As outras duas estiveram e estarão sempre no meu coração… Não há palavras que descrevam o carinho e o Amor que sinto por elas… uma verdadeira família como aquela que tive…
A Historieta da minha vida, em poucas palavras… Acreditem…
17-2-2011 02:37AM