domingo, 14 de outubro de 2012

Um evento sempre feliz

Não nego que manter a sanidade quando as hormonas andam de candeias às avessas é um desafio duro...
Depois de ser habitada por um pequeno mas poderoso ser que controla e guia o corpo que sempre julguei meu durante 9 meses, de esse mesmo corpo ser maltratado e rasgado e esticado e encolhido novamente, de ser sugado até à exaustão, de entrar numa luta onde se perde toda a energia, noção do tempo e desconfio que até alguma dignidade, de ter um dos bens mais preciosos estudado e escrutinado por sei lá quantas mãos e olhos... Surge o tal ser... Pequeno, frágil, com um cheiro único... E de repente, toda aquela violência, todas as dores, tudo o que é mau desaparece... Como por magia, aquela existência que ainda agora foi arrancada para este mundo faz com que tudo seja cor-de-rosa!
E nasce ali um amor único, incondicional, eterno...
E segue a vida... E segue-se o apresentar deste mundo ao meu grande amor... E o bichinho tem horas de tirano e tem horas de doçura pura... E há os minutos de paz e fusão total, e há a necessidade de fuga e desespero... E no fim, o amor está sempre lá... Mas não nego nem perco valor ao admitir que também há a limitação... Mas no fim vale a pena...
Ao fim e ao cabo, estamos sempre sozinhas nesta luta... E não há quem veja pelos nossos olhos e corações por mais que assim o queira... E há quem dê a mão, há quem dê uma palavra sem se aperceber o quão importante isso é para manter a sanidade, a integridade, a personalidade...
É verdade que ao ser mãe deixei um pouco de ser eu... Mas nunca posso deixar de o ser por completo... Ou nunca mais o serei...

Sem comentários:

Enviar um comentário