quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Saudade e um até já...

E pronto... Já partiste...
E perdi o que sempre foi meu sem nunca o ter sido, aquele que fez parte de mim (pelos vistos uma grande parte de mim...), aquele que me deu a vida e isso apenas...
Um encontro tardio, uma vontade sem insistencia, uma aproximação furtiva embora infrutifera...
E tanto que nos unia e nos une ao fim ao cabo, e tanto que tinha em comum contigo... Sem querer, a filha que nasceu de um caso ou de um acaso (até hoje não sei bem...) é aquela que leva no rosto nos teus traços, a mesma maneira de ver a vida e as pessoas, o condão que nos dota de um raciocinio notavel (dizem alguns)...
Sou eu, que descobri a origem de mim tão tarde que sinto hoje uma saudade do que podia ter havido e não houve do que poderia ter tido e não tive, um remorço por não te ter tido ao meu lado enquanto me transformava na tua versão feminina e simultaneamente por não poder ter podido (por falta de coragem, tempo e estomago) acompanhar esta tua jornada final...
Sinto-me consumida por uma dor quase injustificada, um sentimento de perda e um pouco de solidão... Eu sei que passa, ou pelo menos ameniza com o passar do tempo...
Só espero que, estejas tu onde estiveres, me perdoes por algumas das coisas que disse e pensei, que me vejas e me sintas como pai que nunca foste no verdadeiro sentido da palavra, que olhes por mim como nunca pudeste ou conseguiste olhar em vida...
Há tanto que queria saber de ti e nunca vou saber...
Há tanto de mim que queria que soubesses e não sei se vais saber de alguma forma...

Só me resta mesmo despedir-me de ti, desta tua versão corporea pelo menos...
Ficar consolada por saber que gozaste tudo quanto quiseste (se calhar menos o que desejavas)...
Recordar o melhor de ti, de nós...
Aproveitar a familia que afinal é tão grande... Absorver as minhas origens e o carinho que eles possam ter para me dar...
E continuar a viver, a lutar, a ser eu enfim...

Adeus pai...

http://www.youtube.com/watch?v=wwCykGDEp7M&ob=av2e

1 comentário:

  1. Oi... desculpa a invasão mas deparei-me com este texto tão lindo, tão sensivel e espectacularmente escrito... está acima de tudo honesto e de uma grande sensibilidade dito. Adorei!
    Mas pronto, Espero que este mau momento passe, que sintas que acima de tudo fizeste o que pudeste, que pai será sempre pai independentemente de esse papel ter sido ou não cumprido... não te culpes a ti, nem a ele. Que fique agora em paz, e que a vida continue como poder...
    beijinho grande e força!

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