segunda-feira, 13 de junho de 2011

Minha Lisboa

Entrar por ti como uma criança entra no quarto dos pais... Com esperança,mas com cuidado...
Andar pelo meio da confusão de uma cidade que quase não dorme, transito, luzes, torres, barulho...
E chegar finalmente ao teu nucleo... Embrenhar-me nos teus bairros, senti-los a respirar uma tradição que parece perdida mas que mora lá, as cores, as varandas, as ruas sinuosas e deliciosas de percorrer... Pôr um pé na Estrela que brilha dentro de ti e há-de sempre por-me um brilho no olhar... Escadas que não acabam, casas de fado que cheiram à vida boémia que nos faz desmbocar no Bairro Alto, subir-te, descer-te...
Ir ao principe, ao Castelo, aos miradouros que nos mostram a beleza das tuas 7 Colinas que levam o olhar até ao Tejo... Ladear-te e saborear-te e acabar inevitavelmente no Chiado... Beber um café com Pessoa, descer a Rua do Carmo e chegar à Baixa... Onde tudo se mistura, onde me sinto com Pombal e com o pessoal, onde saboreio um belo Mocca, onde me rendo à Casa do Alentejo e a tamanha beleza que há lá dentro, onde vagueio e me encontro...
Ou por um caminho aureo ou pela Augusta chego ao Terreiro... E por mais voltas que dê encontro sempre algo de novo, algo que me fascina, um pormenor que me satisfaz o olhar, um angulo que me faz ver tudo por um prisma completamente diferente... e chego a ele, à sua beira... E inspiro-o com um inevitavel sorriso que sabe a liberdade, sabe a casa, sabe a Tejo...
E fico segundos, minutos, horas a contemplá-lo como se fosse a primeira vez... A linha que divide Lisboa da margem sul, o rio que guarda histórias que são mais que uma vida, o rio que já viu partir e chegar tantos, o rio que me acalma, que já absorveu mais almas do que ele alguma vez conseguirá contabilizar, que já foi adorado por mais olhos e corações que alguma vez conseguirei descrever... Aquele pseudo-ondular que o leva ao mar e que leva o meu olhar com a corrente... E tenho a visão da ponte e daquele que abre os braços à menina-moça, e vislumbro ao fundo no horizonte o ponto em que tocas o mar, tocas o céu e me tocas o coração... E vejo o sol a pôr-se quase a medo... E neste momento todo o teu azul ganha tons de laranja, vermelho e se enche de fogo e energia para a noite que chega...
E quando este beijo acaba, rumo a Belém... Ora pelas ruas cheias de historias e almas, ora junto ao que adormece e acorda e vive contigo... Docas que guardam aqueles que vivem da vida que há nas àguas que te banham e muito mais que isso, o olhar que passa por baixo da ponte, museus que me fazem andar sobre carris, jardins catitas e estátuas que se viram para o rio mas que olham para dentro,para a tua história...
E entre palacios e forças armadas, no crepusculo que te envolve, chego ao sitio onde por mais que me sinta em casa, há uma parte de mim que se perde... No ponto onde avisto o Velho resingão, o meu olhar enche-se coisas novas que já tantas vezes vi mas que sabe sempre ao fascinio da primeira vez, e fico perdida a devorar os Jerónimos e o olhar desce à fonte, chega à Rosa dos ventos que me leva ao Padrão e por fim à Torre...
Já com o coração a palpitar e a exitação de uma criança, decido parar para saborear Belém como convém... E aí sim percorro-te com um gosto peculiar, observo este pedacinho de ti tão cheio de história e glória, as pedras que em ti ergueram e que simoliza tanto de ti,tanto do que significaste na vida do nosso povo, este do qual te orgulhas de ser a capital e fazes questão de o ser com um requinte e belezas fora do normal... És a cidade de tantos e todos te vêm de forma diferente, és a minha cidade e é assim que te vejo,que te sinto... E é abraçada à Torre e com olhar embevecido sobre as tuas luzes que adormeço e fico com vontade de te voltar a percorrer...

A minha Lisboa, a minha cidade, o meu refugio e eu perdida e tão encontrada em ti...

http://www.youtube.com/watch?v=RDRM2dJQDws - Das mais belas descrições... Palavras para quê?

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