Andar pelo meio da confusão de uma cidade que quase não dorme, transito, luzes, torres, barulho...
E chegar finalmente ao teu nucleo... Embrenhar-me nos teus bairros, senti-los a respirar uma tradição que parece perdida mas que mora lá, as cores, as varandas, as ruas sinuosas e deliciosas de percorrer... Pôr um pé na Estrela que brilha dentro de ti e há-de sempre por-me um brilho no olhar... Escadas que não acabam, casas de fado que cheiram à vida boémia que nos faz desmbocar no Bairro Alto, subir-te, descer-te...
Ir ao principe, ao Castelo, aos miradouros que nos mostram a beleza das tuas 7 Colinas que levam o olhar até ao Tejo... Ladear-te e saborear-te e acabar inevitavelmente no Chiado... Beber um café com Pessoa, descer a Rua do Carmo e chegar à Baixa... Onde tudo se mistura, onde me sinto com Pombal e com o pessoal, onde saboreio um belo Mocca, onde me rendo à Casa do Alentejo e a tamanha beleza que há lá dentro, onde vagueio e me encontro...
Ou por um caminho aureo ou pela Augusta chego ao Terreiro... E por mais voltas que dê encontro sempre algo de novo, algo que me fascina, um pormenor que me satisfaz o olhar, um angulo que me faz ver tudo por um prisma completamente diferente... e chego a ele, à sua beira... E inspiro-o com um inevitavel sorriso que sabe a liberdade, sabe a casa, sabe a Tejo...
E quando este beijo acaba, rumo a Belém... Ora pelas ruas cheias de historias e almas, ora junto ao que adormece e acorda e vive contigo... Docas que guardam aqueles que vivem da vida que há nas àguas que te banham e muito mais que isso, o olhar que passa por baixo da ponte, museus que me fazem andar sobre carris, jardins catitas e estátuas que se viram para o rio mas que olham para dentro,para a tua história...
E entre palacios e forças armadas, no crepusculo que te envolve, chego ao sitio onde por mais que me sinta em casa, há uma parte de mim que se perde... No ponto onde avisto o Velho resingão, o meu olhar enche-se coisas novas que já tantas vezes vi mas que sabe sempre ao fascinio da primeira vez, e fico perdida a devorar os Jerónimos e o olhar desce à fonte, chega à Rosa dos ventos que me leva ao Padrão e por fim à Torre...
A minha Lisboa, a minha cidade, o meu refugio e eu perdida e tão encontrada em ti...

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